O NEPE
Lugar de Psicanálise

O NEPE é um espaço de estudo e/ou de formação psicanalítica, criado em 16 de março de 2005, através do Curso de Introdução à Psicanálise /Ênfase Lacaniana. Aliado a prática de uma clínica social (o preço a ser pago é uma construção de acordo com cada caso e situação, para qualquer classe social) na forma de atividades clínicas supervisionadas: Acolhimento – recebimento dos casos, Atendimento Psicanalítico, Observação de Crianças, Acompanhamento Terapêutico, Oficinas de Soluções.

Quem somos?

O NEPE é um espaço de estudo e de formação psicanalítica, criado em 16 de março de 2005 e pensado inicialmente como a possibilidade efetiva de estudo e prática a partir da Psicanálise.

Ser psicanalista é um ofício que se faz ao longo do tempo. É uma profissão não regulamentada por nenhum órgão governamental nem garantida por nenhum documento; é algo que se faz a partir da confluência de três áreas: exercício clínico (clínica), auto-conhecimento (análise pessoal) e estudo (teoria). A Psicanálise não é uma filosofia, mas uma teoria sobre a clínica, que se fundamenta no exercício clínico. As duas faces – estudo e clínica – se fazem em consonância, exigindo dos interessados muito rigor e dedicação. O estudo oferecido pelo NEPE acontece de forma sistemática a cada ano, em três módulos consecutivos, que constituem a possibilidade futura de vir a começar a formação psicanalítica com ênfase lacaniana.

Os cursos se iniciam em março e terminam em outubro, com aulas aos sábados e domingos uma vez ao mês, no último final de semana de cada mês. O primeiro módulo se dirige aos que ainda não conhecem a psicanálise ou queiram sistematizar os conceitos a partir de uma leitura inicial da obra freudiana. O segundo módulo é indicado para os que já conhecem os conceitos em Freud e já estudaram a obra de Jacques Lacan e aborda os conceitos de sua proposta. O terceiro módulo se dirige apenas aos que já cumpriram o segundo módulo, enfatizando a prática clínica lacaniana.

Além do estudo, o NEPE possui uma clínica social (para atendimento psicanalítico de pessoas que têm renda até dois salários mínimos) e oferece aos alunos oportunidades de exercício clínico através de atividades clínicas supervisionadas (Acolhimento – recebimento dos casos, Observação de Crianças, Acompanhamento Terapêutico – ADIANTE).

O NEPE tem parcerias informais com abrigos, programas de assistência (Programa Família Acolhedora), a partir da demanda de pessoas que acreditam em seu trabalho. Portanto, é importante que todos os que fazem parte do Nepe trabalhem com respeito, ética e cuidado, pois somos todos participantes deste ideal. A Clinica Social do NEPE pretende ser um local de tratamento, de exercício clínico para os alunos, mas também de promoção de saúde. Portanto, outros projetos podem ser desenvolvidos, como a participação em outras situações, fora do setting; como já se faz no acompanhamento terapêutico. O Acolhimento é a porta de entrada que encaminha os casos de acordo com a necessidade e as possibilidades de nosso trabalho. Os alunos do segundo e terceiro anos podem atender desde que já tenham dois anos de análise pessoal e tenham algum curso superior completo. Os casos também podem ser encaminhados para o ADIANTE ou para Oficinas de Intervenção.

Na medida do possível, o NEPE também contribui para o andamento dos casos em atendimento ou em acompanhamento, através de ajuda de custo para compra de remédios, de consultas aos pacientes com custo menor ou o que for necessário. Os alunos do NEPE que fazem parte do ADIANTE recebem ajuda de custo mensal para ir às casas (valor da passagem ou do combustível).  Também é de nosso interesse que os alunos participem de eventos fora da cidade, que tragam os novos conhecimentos e compartilhem com todos, pois o saber é público e quanto mais soubermos, mais bem preparados estaremos em nosso trabalho.

Ao final de cada ano, o Colóquio de Psicanálise do NEPE é a oportunidade de conversarmos, de trocarmos idéias e apresentarmos o que aprendemos, todos, pois a rede do saber é tramada por significantes que se fazem uns em relação aos outros – esta, sim, é a verdadeira solidariedade.

Estrutura e Funcionamento

1) Clínica social:  o Nepe pretende ser um local de tratamento, de exercício clínico para os alunos, mas também de promoção de saúde. Assim, as atividades clínicas do Nepe se fazem no sentido da acessibilidade a todos que as desejarem. O custo das atividades é variável, observando-se que o preço a ser pago é uma construção de acordo com cada caso e situação, para qualquer classe social. As atividades disponíveis são:
 
a) Acolhimento: os casos que chegam ao NEPE devem passar por uma primeira entrevista, que acontece às quartas-feiras, das 14hs às 20hs, e às quintas-feiras, das 14hs às 20hs. As entrevistas, chamadas de momento de Acolhimento, são feitas por alunos do segundo semestre do módulo I e outros alunos de qualquer dos módulos seguintes. É a partir do acolhimento que o aluno e o supervisor decidem qual a atividade clínica mais indicada para o caso, a partir dos estudos teóricos e dos treinamentos que acontecem uma vez ao mês.
 
b) Atendimento Psicanalítico: os alunos que estão nos módulos II e III podem fazer atendimentos psicanalíticos, como exercício clínico, desde que tenham pelo menos dois anos de processo analítico pessoal e que frequentem 12hs de supervisão por mês. A supervisão dos atendimentos acontece com a Profa. Roberta Ecleide de Oliveira Gomes Kelly e no módulo III aos domingos dos dias de aula, de acordo com o cronograma. Os detalhes dos atendimentos são particulares ao aluno e seu supervisor; cada supervisor estabelecerá a forma de registro dos atendimentos. O aluno do NEPE pode atender em seu espaço físico quantos casos quiser, entre um e cinco, de acordo com a disponibilidade local de horário. Após um ano de atendimento no espaço do NEPE, como oficiante, o aluno deverá atender em espaço próprio, sendo-lhe encaminhados os casos que chegam ao NEPE enquanto estiver em formação.
 
c) Acompanhamento Terapêutico: o acompanhamento terapêutico (AT) é uma possibilidade de estar com o sujeito fora do espaço dos consultórios e das instituições, em situações cotidianas, que requerem boa organização cognitiva e social; o que às vezes pode estar ausente no sujeito em função da patologia que apresenta. Assim, o AT é a possibilidade de criar alternativas de inserção social, além de mediar o contato do sujeito com o mundo em espaços extra-consultório: rua, cinema, supermercado, escola, etc. O tempo de permanência com o sujeito é variável, mas sempre guiado pelas necessidades mais prementes do sujeito e conservando sua independência e autonomia. Cada acompanhamento é planejado sob supervisão, de acordo com as características da patologia do sujeito, das necessidades e demandas da família do sujeito e com as oportunidades oferecidas pelo ambiente do sujeito. Em sua origem era voltado apenas para sujeitos psicóticos ou com graves transtornos mentais. Porém, na atualidade, vêem-se acompanhantes terapêuticos para portadores de retardo mental, de câncer, de demência, para crianças autistas, bebês e suas famílias e quaisquer situações que requeiram a intervenção fora do espaço institucional ou de consultório; preferencialmente espaços públicos ou a casa do sujeito. O importante, no AT, é buscar a interação do sujeito com o cotidiano, agenciando práticas essenciais e fundamentais ao exercício da identidade individual. Logo, o acompanhante terapêutico é um mediador, um facilitador, que age em consonância com as demandas do sujeito e de seu meio. O AT não substitui a psicoterapia, em seus moldes tradicionais, nem qualquer outra prática de consultório, é um coadjuvante para outras práticas terapêuticas institucionalizadas ou de consultório, para lhes trazer maiores possibilidades de alcance. O AT é feito de forma individualizada, ainda que possa, ocasionalmente, envolver outras pessoas da família ou convívio do sujeito. A escuta que se oferece é singularizada, também levando-se em conta as diretrizes diagnósticas e terapêuticas da equipe. Os encontros sempre estão marcados por um fazer cotidiano: comprar, organizar a casa, planejamentos, tomar um café, andar nas ruas, ou mesmo pensar com a família alguns fazeres que permitam a autonomia do sujeito (gentilezas, favores, cuidados, etc.). A cada semana, os acompanhantes terapêuticos entram em contato com o profissional responsável para indicar os avanços e recuos do sujeito e rever as estratégias de ação, sempre indo ao encontro da requisição do profissional responsável. O sujeito pode romper com o contrato do AT a qualquer momento, sendo isto comunicado e discutido com o profissional requisitante. É muito importante, também, que a família do sujeito seja incluída nas conversas acerca do sujeito e com o sujeito. Cada caso é discutido quinzenalmente, nas reuniões teórico-clínicas, nas quais se planeja a atividade de acompanhamento e as possíveis relações com a teoria e com as condições do sujeito. Estas reuniões estão abertas aos profissionais responsáveis pelos sujeitos acompanhados. Podem participar como acompanhantes os alunos a partir do segundo semestre do módulo I, respeitando-se a presença de um aluno mais experiente em cada caso; o qual será identificado como responsável pelo caso.
O AT é indicado para situações de pacientes com demência, relações mãe-bebê, psicóticos, situações de acompanhamento em escolas, crianças ou adultos. E também para casos de dependência química em recuperação, cujo objetivo é a (re)inserção do sujeito na sociedade, através de oficinas de arte, profissionalização e estudo, eventualmente com atendimento psicanalítico de acordo com cada caso.
Para ser acompanhado, o sujeito deve passar antes pelo acolhimento.
 
d) Oficinas de Intervenção: nem sempre o caso permite uma intervenção psicanalítica clássica ou mesmo o AT. Para os casos que demandam alguma intervenção fora do setting, temos as Oficinas de intervenção, elaboradas pelos alunos dos módulos II e III. Cabe aos alunos conduzir a prática, delinear as oficinas e compreendê-las teoricamente, pois tudo o que se faz terapeuticamente deve ser pensado teoricamente para fundamentar a prática. As oficinas devem ser articuladas de acordo com a necessidade dos casos, que podem surgir dos acompanhamentos terapêuticos ou dos atendimentos psicanalíticos, mais raramente do setor de acolhimento. Atualmente, há uma oficina de artes em andamento no Centro Educacional Poços de Caldas, especificamente para as crianças com dificuldades de aprendizagem e/ou de socialização.

Direção Geral

Dra. Roberta Ecleide de Oliveira Gomes Kelly
Psicanalista, Doutora em Psicologia Clínica, Pós-Doutora em Filosofia da Educação
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Direção Administrativa

Carolina Coutinho
Psicóloga, Analista Institucional e Especialista em Esquizoanálise, MBA Gestão Avançada de Pessoas, Docente do Curso de Administração.

2008-2011 © NEPE - Núcleo de Estudos em Psicanálise e Educação
Editor: Gabriel Bartolomeu (gbartolomeu@gmail.com)